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Vai

Resigna

respira e sorri pra esse mundo

de desconfiança

de ciúmes.

Desse ego.

Escuta o som das coisas

sente o que acontece em volta de você

e sorri novamente

e perdoa.

 

Releva.

Porque nada mais vale à pena.

Respeita.

Compreende à cada um

e silencia.

Depois disso tudo

sorri

e respira.

Olha

Faz amor,

de olhos abertos

dentro dos meus.

 

Bem abertos

pra ver tudo

como eu.

 

Faz amor

do toque

tudo.

 

Do toque o abraço

do quente

de dentro.

 

De dentro pra fora

no escuro

de olhos abertos e claros e pretos

ainda dentro dos meus.

 

Enlaça nossas mãos

antes de dormirmos

acordadas.

 

Porque nós não dormimos nessa noite?

 

Eu fiquei acordada pra poder te ver dormir

e vi

e foi lindo de ver.

 

E acordamos de um sono que não tivemos

e foi a última vez que te vi.

 

Foi de carro

você acendeu um cigarro

me esperou chegar perto

e pelo espelho me disse adeus.

 

E assim foi

Adeus.

 

Foi mesmo a última vez que te vi.

Partes

E lá se vai mais um pedaço meu

um pouco mais do meu sangue

uma parte do sorriso

mais um pouco do encanto.

 

Lá se vai mais um pouco

mais um pouco que dói

mais um tanto.

Mais um tanto de tempo

um pouco do tato.

 

Vem mais lágrima

mais de dentro.

 

Vem mais e eu peço abraço

vem mais e eu peço cuidado.

 

Vem mais dor de olhar pro lado.

 

Me dói ouvir o motor do barco.

Dói comer

dói olhar

dói olhar por dentro de todo mundo.

 

Sinto tudo muito aberto

muito exposto.

Contei pra todo mundo

e agora todo mundo sabe.

E agora estou sozinha

sem som.

Aqui sozinha e é agora

é agora que dói.

 

Até o que eu via amarelo

à poucos dias.

 

Poucos dias atrás

as folhas dançavam no amarelo

e eram lindas dançando.

Agora é noite e ela não dançam.

 

Estão aqui paradas

me observando

triste.

 

Nesse infinito meu

tem fumaça

não tem sono

não tem fome

não tem brilho

só tem dor

tem falta de amor

tem saudade do colo do meu pai

do colo

do cheiro

do colo

do choro

do meu canto.

Acorda

Acordei.

 

Decepcionada.

 

Uma decepção publicável.

Em um outdoor

numa capa de jornal.

Um estampado

letras garrafais

chorando

doendo por dentro

por fora

pelo poros

pelos olhos.

Quantidade de lágrima.

Uma surra

um tapa na cara

soco no âmago

na boca do estômago.

Cólica

cólera

sangue sangrando.

Com medo

no susto

no soco

na cara.

Me violentaram a alma

mais uma vez.

Respeito

Volto a escrever.

Pensando em como é difícil não ser o que o outro espera.

Domar a fera

de dentro

entrar num lago calmo.

 

O que vai ser de nós?

Será que seremos nós?

 

Te beijei antes do tempo.

 

Se eu fiz

foi invasão.

 

Sempre ao meu lado

a música

música.

Era outro

Agrada

meio que psicografado

uma luz

vem

e eu registro.

Agrada

agradável

um batuque

uma carta

mais uma taça

Âmago

psicografado

porque não era eu.

Vinho

Me parece que essa noite vale à pena.

 

Vale à pena

mais uma taça

esse tango.

Esses tempos

meu coração

cheio de alegria

pulsa

sangue

suave

como uma brisa

um ar fresco

de encontro ao peito

numa corrida

correndo sorrindo

de peito aberto

muitas idéias na cabeça

inventando histórias de amor

diálogos

sorrisos

abraços

gozadas

calores

amores

meu amores.

Inquisição

Somos lobos assumidos

lobos caçados.

 

Tentam me caçar todos os dias.

Pela manhã

quando acordo

tenho que ficar atenta

na fila

olhando ao redor

pra não levar um tiro

pra não morrer

pra não roubarem de mim

a minha essência

de bicho.

A minha verdade.

 

Te ligo

te quero

te amo

te penso

te escrevo

te levo surpresas.

Me entrego.

 

E não vai ser você

que vai me matar

mais uma vez.

 

Dessa vez

eu sei de mim

e não vai ser você

que vai me esconder

a verdade.

 

Eu tropeço

entristeço

baixo os olhos.

Me dói uma dor doída

de choro de criança

de choro de mágoa

de falta de esperança

uma dor

doida

doída.

 

Mas eu tenho a sorte ao meu lado

uma grande amiga.

Ela compartilha comigo essa dor

porque ela é azul

como eu

somos azuis

e coloridas.

E ela descobriu

que eu sou forte na alegria

de saber quem eu sou

de saber que tenho pares

que somos de verdade

que somos rebeldes

que dizemos NÃO

e vamos continuar dizendo

até o FIM.

 

Eu não aceito que me digam NÃO.

 

Estamos no Front dessa batalha

e vamos dizer quando vamos pra retaliação

e vamos devolver com sorrisos

e compreensão.

E mais fracos vocês virão

e só através do amor

vamos vencer essa guerra.

 

Nós vamos vencer essa guerra

COM AMOR.

Eu dialogo
Em meu silêncio
Comigo mesma
Eis o meu íntimo
 
Onde busco o divino
A voz interior
Que não é a minha
É mais sábia do que eu
 
E nessa conversa íntima
Aprecio minha companhia
Rimos, choramos, refletimos
Numa pra sempre amizade
De bem e mal-me-quer
 
E é nesse meu diálogo secreto
Que eu e você encontramos nossa afinidade
O meu eu com o teu eu
O que não é dito
Aos ouvidos comuns
 
Mas
O que encontramos
Um no outro
Porque já o havíamos encontrado
Dentro de nós mesmos

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